Potência Normalizada (NP) VS Potência média

Five hours, 363 watts: Wout van Aert’s Strava ride reveals his massive effort at Strade Bianche

Na notícia o que ressalta é a fantástica média de 363 watts durante 5h10 de corrida na Strade Bianche por parte do também fantástico Wout Van Aert que apenas leva 2 corridas de estrada este ano (claro que transporta muito da sua boa forma devido à preparação para o ciclocrosse).
Na verdade este valor respeita à Potência normalizada (NP) a qual representa um valor estimado para a potência que Van Aert hipoteticamente seria capaz de suster nesse mesmo período, excluíndo este valor, valores zero e picos de potência, criando uma linha estimativa de potência mais estável.
A média real do atleta foi de 351 watts, como é possível verificar na notícia. Um resultado na mesma surpreendente.
Mas igualmente surpreendente é que na posse destes 2 valores é possível medir o quão perfeito foi o seu pacing, e foi perfeito para a corrida que é. E ainda para mais esteve em fuga.
O pacing no ciclismo e nos desportos de Endurance é tão somente das coisas mais importantes mas também difíceis de executar.
Assim de repente fazemos uma pequena ideia de qual não será o Limiar anaeróbio em termos de potência (FTP)deste atleta.
Assim de repente surge o número de 400 watts, considerando que ele fez a prova a 90 %.
A ser assim e a considerar os seus cerca de 70 kg está com 5,60 w/kg e em prova andou nos 5 w/kg.

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Sistemas energéticos (Limiar Aeróbio e Limiar Anaeróbio)

No passado fim de semana numa conversa, com os mais experientes sobre treino, avaliações físicas e o resultante dessas avaliações, chegamos ao tema do Limiar Aeróbio, a sua importância e claro, contrapondo com o Limiar Anaeróbio.
Primeiro importa definir o que é o Limiar Aeróbio e o Limiar Anaeróbio, nomes pomposos que certamente já ouviram falar e que estão intimamente ligados à performance desportiva!
Limiar Aeróbio
É portanto, o ponto na escala da intensidade em que produzimos energia com a presença de oxigénio nos processos metabólicos e sem acumular lactato, nível no qual podemos andar algumas horas. Trabalhando neste limiar o mesmo exterioriza-se fisicamente numa respiração um pouco mais acelerada mas controlada e alguma tensão muscular. De uma forma genérica o limiar Aeróbio corresponde a cerca de 70~75% da FcMáx (teórica) ou a 80% do limiar anaeróbio. Em avaliações físicas com recolhas/amostras de sangue encontra-se este limiar, no momento em que se denota uma subida na acumulação de lactato… No regime aeróbio os combustíveis utilizados para a produção de energia (com presença de o2) são as gorduras (triglicéridos) em maior grau e a glicose. Quanto mais eficiente o motor, melhor ele utiliza as gorduras…
Limiar anaeróbio (Láctico)
Momento no qual pedalamos a uma intensidade cuja acumulação de lactato é tal que oxigénio não está presente nos processos metabólicos e utilização exclusivamente açucares como energia (glucose)… Vaza o depósito rapidamente. Aqui nesta fase a acumulação de lactato é alta e não permite ir muito além da 1h de trabalho neste nível até á fadiga total. Existe ainda o sistema anaeróbico aláctico, mas isso são outros 500…. 😉
Agora voltando ao Limiar Aeróbio, qual a sua importância? É tão somente aquilo que melhor deve estar desenvolvido num atleta de endurance. Trabalhar neste regime melhora provoca o seguinte:
– Aumento do volume/debito cardíaco;
– Aumento do plasma sanguíneo;
– Aumento siginificativo das enzimas mitocondriais (responsáveis pela geração de energia “ATP” através da utilização de o2 e glucose);
– Aumento das fibras lentas e melhoria das fibras rápidas;
– Aumento da capilarização;
– Melhoria da capacidade aeróbia (Vo2max).
Treinar no limiar aeróbio permite-nos construir uma base sólida para atingirmos a melhor forma, a melhor performance! Ele deve ser trabalhado no início da nossa época desportiva.
 
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