Alpes “cerise sur le gâteau”

Alpes “cerise sur le gâteau”

Poder visitar partes do maciço Alpino, seja o Francês, o Italiano ou o Suíço, reservando estes os topos mais míticos, é um sonho para qualquer amante de ciclismo. Parece por vezes inatingível a qualquer Europeu do Sul chegar até estas bandas, mas não… é relativamente fácil!

Em Junho de 2015, os 4 aventureiros que viajavam vindos de terras pirenaicas, de regresso a Portugal após ter efectuado a travessia dos Pirenéus do Cantábrico ao Atlântico em 8 dias (ver história aqui), naqueles mais de 1000 km de viagem numa caravana, ainda com as pernas a latejar das marretadas que levaram, já nascia e falava-se sobre a vontade de elevar a fasquia e de se subir mais a norte (Alpes) ficando apalavrada mais essa aventura épica.

Uns meses depois, e após algumas conversas pré-preparativos…. em meados de Novembro de 2015, recebo (Daniel) uma chamada do Edgar a perguntar se quero ir dar uma voltinha até à região de Sabóia, região esta atravessada por parte do maciço Alpino. Seria por alturas de Julho seguinte. Obviamente que respondi que sim, após saber que a cerveja, café e bolaria fariam parte da brincadeira.

E então começaram os planos…

Desta feita a turma que seguiu para esta aventura foi um pouco maior em relação à que se aventurou em solos pirenaicos no ano anterior. No total a equipa atingiu o número de 8 elementos o que fez com que os aspectos logísticos fossem um pouco mais complexos e com pormenores diferentes e porque também esta aventura se desenrolaria num formato diferente. Não seria em travessia, mas sim todos os 4 dias (etapas) regressaríamos sempre ao mesmo local.

1ª Questão a decidir: Local

Saint-Jean-de-Maurienne seria o nosso Quartel General para os 4 dias de euforia ciclística. Classificada como a capital mundial dos Cyclo Grimpeurs (ciclo trepadores). Perfeitamente situada num vale central, perto dos principais col’s que queríamos atravessar. O Camping des grand Col foi o escolhido para as pernoitas dos aventureiros.

2ª questão: Data

Foi aqui nesta escolha que colocamos a “cerise sur le gâteau”… pumba, decidimos enquadrar a coisa com a altura em que o Tour passava ali perto, possibilitando desta forma num dos dias podermos assistir à partida e a uma passagem num outro local.

As próximas questões prenderam-se com os detalhes logísticos que resumidamente foram:

Bicicletas?

R: Alugadas e entregues no dia da primeira etapa no Parque de Campismo.

Como chegar a Saint-Jean-de-Maurienne da forma mais barata e rápida possível?

R: Voo low cost até Lion e daí um táxi (monovolume) para 7 dos 8 aventureiros.

Entretanto surgiram algumas questões que se prenderam com o  material que teríamos de levar, como tal uma tnda para 4, sacos de cama etc etc… Como o nosso amigo Mesquita iria de caravana, na já conhecida Mirage, uns dias antes para SJdM vindo da Bélgica, local onde reside, enviamos para a sua residência esses bens, que o mesmo transportou depois na caravana. E como no final da aventura ele regressaria a Portugal de caravana, tudo ok e questão resolvida.

A partir daqui a espera foi igual a de uma criança que espera ansiosamente pelo natal…

Com tudo tratado foi apenas começar os treinos de preparação, alguns deles em conjunto com uma subida a Fóia, Serra de Monchique. Entretanto, muitas subidinhas na Serra da Arrábida, Serra da Estrela etc etc…

E eis que então chega o dia…

Dia 0 – 19/7/2016 – Viagem 

 

Na hora marcada lá estávamos nós no aeroporto prontos para toda a logística inerente a uma viagem de avião… mas não começou como esperávamos. O voo atrasou 2h e lá tivemos de avisar o motorista que nos iria fazer o transfer de Lion para Saint Jean de Maurienne e acertar uma nova hora.

Depois da espera, lá viajamos sem sobressaltos durante 2 horas até Lion, onde à saída do aeroporto lá estava o motorista identificado por uma tabuleta com um dos nossos nomes e que nos levou até ao nosso destino onde já aguardava o nosso companheiro Mesquita que já tinha o acampamento montado e a massa pronta! Espétaculo!

Quartel General Alpes 2016

Dia 1 – 20/7/2016 – Col du Télégraphe e Col du Galibier (Tocar no teto dos Alpes)

Por volta das 9h e já depois de tomarmos um bom pequeno almoço, com pão fresco, papas de aveia café e muitos Speculoos, chegaram as bicicletas que alugamos e depois de uns pequenos ajustes lá nos fizemos a estrada, ainda antes das 10h, para atacar o Col du Télégraphe e de seguida o Col du Galibier, numa tirada num total de 100km com cerca de 2500 metros de subida acumulada. 

Saímos do parque e fomos em direcção a Saint Michel de Maurienne, onde começaria a subida de 11,18km com pendente média de 7% que nos levaria ao Col du Télégraphe, a 1566 metros de altitude. Subida relativamente rápida da qual tivemos em parte a companhia de uma btt eléctrica que a dada altura desapareceu por dentro dos trilhos que desaguavam na estrada.

Estava tudo extasiado com a subida, com a paisagem deslumbrante dos Alpes no verão e com as marcas na estrada que nos relembram que o Tour passa por ali. Sim, parecia um sonho, estávamos a fazer subidas icónicas do Tour e que normalmente só vemos na TV.

Chegados lá a cima é altura de tirar a foto da praxe e descer em direção a Valloire, para comer algo e de seguida enfrentar os 17,60km com 7% de inclinação média, que nos levariam dos 1400 aos 2642 metros de altitude. 

A paisagem do Galibier é contrastante, com o verde dos vales e a neve nos picos mais altos, indescritível a beleza deste Gigante Alpino, só visto. Até aqui teria sido o topo mais alto que havíamos tocado.

É incrível o poder e energia que os Alpes nos transmitem.

Depois foi sempre a descer até ao parque de campismo pelo mesmo caminho, parando de novo em Valloire para abastecimento. 

Chegados ao parque de campismo foi lambusarmo-nos nos típicos lanches de final de volta com cerveja de abadia à mistura. O melhor recuperador.

Depois foi distribuir tarefas e ir às compras. Esta parte aos dois a quem tocou a parte de ir às compras foi um pouco complicada. Querer ser um Sagan e  querer ir às compras de bicicleta carregados com 2 sacos cheios de compras cada um, não foi a melhor das opções porque deu queda, compras espalhadas no chão, que figurinhas tristes… mas felizes porque estavam na meca dos Col’s…

Dia 2 – 21/7/2016 – Col du Glandon, Alpe D’Huez e Col de la Croix de Fer- L’étape Reine

E a etapa rainha desta aventura chegou. 

Para este dia tínhamos reservados 165km com 5000 metros de acumulado, no menu tínhamos o lindíssimo Col du Glandon, o épico e famoso Alpe D’Huez e o temível Col de la Croix de Fer.

Acordamos cedo e fizemos-nos a estrada. Ainda nem tínhamos percorrido 20km e já estávamos a subir o magnífico Col du Glandon, uma das subidas mais bonitas por nós feitas, numa manhã cinzenta mas amena, parecia dar mais romancismo a esta subida que a chegar ao topo soltou algumas pingas de chuva mas nada de mais. 19,52 km de subida de pura beleza em estado natural que nos fizeram distrair da dureza da subida que nos levou aos 1924 metros de altura. 

Feito o Glandon era altura de descer cerca de 30km, pelo Col de Croix de Fer, descida esta que no final do dia seria subida, passando na bela barragem de Verney e parando em Le Bourg d’Oisans para almoçar e reabastecer de água.

Feito o abastecimento era tempo de nos dirigirmos para as 21 curvas que dão formato àquele zigue zague do famoso Alpe D’Huez.

Cada curva tem história, cada curva respira ciclismo e cada curva homenageia os ciclistas que as subiram mais rápido nas edições em que o Tour por lá passou, como o nosso José Agostinho, homenageado na curva 17 e com placa na curva 14 devido à sua vitória na etapa do tour de 1979. 

A sensação de fazer as 21 curvas e acabar na estância de Huez é incrível, ali respira-se e sente-se ciclismo, havendo sempre gente que aplaude quem chega de bicicleta,  dando sempre alento e fazendo-nos imaginar uma chegada do Tour.

Alpe D’Huez feito e era tempo de recuperar para descer em direcção ao temível Croix de Fer.

No Croix de Fer esperava-nos 24km de subida, com umas pequenas descidas pelo meio, que nos levariam aos 2067 metros de altitude. Mas que rampas e que agressividade tem esta subida nos seus 2 primeiros terços.

A meio, lá paramos num cafezito e para nosso espanto, gelados corneto a 1 euro??? Uiii siga, vamos lá acbar com isso… por estas bandas, luxos destes a estes preços não se encontram todos os dias …

Depois dos gelados lá nos fizemos de novo a subida até que o topo foi atingido e a partir daí uma frenética descida de cerca de 30km levava-nos quase directamente até ao parque. 

Contas feitas passamos 9h a pedalar e o que mais queríamos era comer e dormir. Mas que dia… nesse dia ninguém cozinhou…Sai pizzas para toda a gente.

Dia 3 – 22/7/2016 – Ver o Tour 

O dia amanheceu chuvoso, é assim a meteorologia em alta montanha, nunca sabemos como vai estar. Lá tivemos de recorrer ao improviso e alterar os planos. O improviso e a adaptação faz parte das aventuras e dá um certo toque à coisa.

Desta forma tivemos de aguardar que parasse de chover e recorrendo a uma mapa (à antiga) traçávamos o plano para logo que o sol desse o ar da sua graça ou a chuva se fosse embora.

E assim foi, logo que o tempo melhorou seguimos de imediato para Albertville, local onde começava a etapa 19 do Tour e assim pudéssemos assistir ao seu começo. Ainda conseguimos assistir á partida simbólica! Foi por pouco.

Depois deste momento seria ver uma nova passagem em Queige, mas ainda tínhamos tempo e por isso fomos almoçar àquela cadeia de restaurantes famosos de cozinha americana (sabem do que falamos?). Local este onde foi possível mostrar mais uma vez que gostamos de dar nas vistas, quando um dos nossos aventureiros despeja o tabuleiro dos restos e lixo juntamente com a carteira… resultado… ver foto…

Dali foi seguir para Queige, a espera foi longa, mas ao aumentar do som dos helicópteros, que significava que o pelotão estava perto, a euforia aumentava. Que frenesim é esta corrida. De facto algo do outro mundo. Só visto mesmo.

Aí veem eles, e para premiar esta passagem vemos o Rui Costa na fuga, o que nos levou a gritar automaticamente; “vai Rui! vai Rui!”

Depois de uns minutos a interiorizar o facto de termos visto a maior prova velocipédica do mundo é tempo de regressar a base que ainda falta um dia. 

Dia 4 – 23/7/2016 – Lacets de Montvernier, Col du Chaussy e Col de La Madeleine

Última dia a pedalar nos Alpes franceses, e no menu tínhamos os lindíssimos Lacets de Montvernier, seguidos do Col du Chaussy e do famoso Col de La Madeleine.

Os Lacets de Montvernier, é uma subida relativamente curta que serpenteia uma encosta ao longo de cerca de 4km, imediatamente seguidos pelos cerca de 10k do Col du Chaussy, que nos levaria a 1533 metros de altitude. 

 

O tempo fez com que esta subida fosse idílica derivado a neblina e ao nevoeiro, o que tornou a subida ao longo de pastos e aldeolas especial. 

Chegados ao topo é tempo de abastecer, beber algo quente na estalagem que se encontra no topo e fazermos a descida que nos levaria a cerca do km 4 do Col de La Madeleine, subida de 19km que nos eleva até aos 2000 metros de altura. 

Último Col conquistado e é hora de regressar ao parque, fazendo os 19km do Col a descer até La Chambre e depois seguindo até Saint Jean de Maurienne para nos prepararmos para a despedida desta aventura épica.

O início e final dos dias era sempre igual, entre banhos e lavagem de roupas as tarefas eram entre todos, em que uns iam às compras, outros preparavam as refeições e outros lavavam a loiça (sim, que nestas coisas não há cá serviço VIP. Perdia muito a piada acreditem). 

Além disso sempre que chegávamos ao parque estavam a nossa espera umas belas e frescas cervejas belgas escolhidas a preceito pelo capitão flecha.

No dia 24, foi o dia de regresso a casa, com uma magnífica viagem de comboio até Lion, onde deu para um passeio pela cidade ainda antes do regresso a casa. 

No final da jornada contabilizamos um total de cerca de 24h e 41m a pedalar, com perto de 500km percorridos e 12000 metros de subida acumulada… mas acima de tudo passamos bons momentos de entre-ajuda, companheirismo, diversão, amizade e muita coisa que ficou por contar neste longo texto porque é difícil transpor em frases e adjectivar a tamanha beleza desta região e do misticismo ciclístico que ela proporciona aos seus visitantes.

Até breve Alpes. 

Links das actividades STRAVA:

Etapa 1

Etapa 2

Etapa 3

Etapa 4

 

Texto de

@Daniel Louro e Edgar Santos

 

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O inferno do Norte. Um domingo no Inferno. A Rainha das Clássicas.

O inferno do Norte. Um domingo no Inferno. A Rainha das Clássicas.
Um dos vários troços de pavê do Paris-Roubaix
É conhecida por estes nomes aquela que pode muito bem encabeçar lista das corridas mais duras do mundo onde parece que os elementos se juntam por forma a derrotar o Homem em cima de uma bicicleta. Desde as condições climatéricas, o terreno, a distância o nervoso do pelotão no meio do êxtase dos adeptos e a pressão de ganhar A Corrida.
2014, Paris – Roubaix, Bmc 2014, Van Avermaet Greg, Burghardt Marcus, Bourghelles a Wannehain
Muito já se escreveu sobre esta prova portanto é suficiente assistir ao trailer e depois esperar pelo som do sino que assinala a última volta no velódromo de Roubaix e onde se conhecerá a nova chapa a ser colocada num dos míticos chuveiros dos Balneários do velódromo de Roubaix.
Roubaix Showers

Paris-Roubaix teaser- Aqui

Paris-Roubaix 2018 trailer- Aqui

Paris-Roubaix Faces- Aqui

Documentário “A Sunday in Hell 1976”- Aqui

A informação sobre os 29 sectores de pavê desta edição- Aqui

Até domingo… Com toda a certeza teremos espectáculo… Infelizmente segundo as previsões se houver chuva será pouca… 😛

 

 

 

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Pirenéus 2015… Mais que uma aventura.

Pirenéus, Pirineus, Pyrenees ou Pyrénées seja de que forma se escreva, uma coisa os define- Esplendorosos!

Foi em Junho de 2015 que fizemos a travessia dos Pirenéus  em bicicleta, ligando Hendaye a Colluire. Do mar cantábrico ao mediterrâneo.

Percorremos das mais belas paisagens que se podem encontrar por esta Europa fora, subimos os mais míticos Col’s, passamos por estradas, vilas e aldeias pitorescas, paisagens de um verde incrível e imenso, pequenas quedas de água a cada curva, um ar tão puro que é difícil encontrar igual. Um paraíso para um ciclodesportista, simplesmente fabuloso.

Agora descreveremos a forma como preparamos e fizemos esta viagem; as questões logísticas; as estadias; a alimentação; as ligações etc etc.

Depois de contratada a ideia do desafio que queríamos concretizar e de criada a equipa que o iria executar, encaramos o desafio com um sorriso na cara de tão fácil que ia ser …. Mentira!!!

Decidimos desde logo fazer num modelo de travessia, ou seja, (a-b-c-d-e-f-g ) e não (a-b-a) e dessa forma tivemos de nos adaptar a esse modelo e como tal necessitávamos de apoio durante cada etapa, mais que não fosse transportar os nossos bens (roupas etc) para o final de cada etapa.

Foi fácil. O mais experiente nestas aventuras, Monsieur  P.Mesquita (AKA Capitão Flecha) sendo além dum cicloturista, também um caravanista e emigrado na Bélgica, ajustando os calendários de todos, arrancou mais cedo de Genval- Bélgica para Hendaye, onde aguardou a nossa chegada vindos de Lisboa.

Depois na travessia, sendo 4, num dia pedalavam 3 e o 4º levava a caravana de A a B, com uma paragem a meio para providenciar uma refeição (almoço- Sandes etc)  . Tudo muito bem encadeado e que resultou às mil maravilhas.

Os restantes, para chegarem a Hendaye utilizaram o Sud Express (Santa Apolónia). Uma viagem em camarote de 4 camas (3 cicloturistas mais 3 bicicletas devidamente acondicionadas em caixas de papelão) que partiu por volta das 21h do dia 04 de Junho e chegou às 12h locais a Hendaye do dia 05. Uma viagem que se fez bem, sendo que grande parte do tempo íamos a dormir.

 

Chegados a Hendaye, instalamo-nos, fizemos um pequeno prólogo até Saint Jean de Luz e ainda usufruímos da piscina do parque de campismo onde pernoitamos para o dia da 1ª Etapa.

Etapa 1- 06 Junho, eis que era o dia em que começávamos a maior travessia em bicicleta que alguma vez tínhamos feito e sem dúvida o desafio mais difícil de ultrapassar, mas lá arrancamos certos e seguros de que tudo ia correr bem e fomos “comendo” alcatrão em direcção a Sudeste. O dia estava muito encoberto, com alguns chuviscos à mistura. Foi um dia em que ondulamos por pequenos montes e entre fronteiras (Espanha/França) em puro País Basco.

O ponto alto deste dia seria o col d’iraty (1340m) uma subida a 2 fases com cerca de 18 km, com uma pequena introdução aos “lacets”, sempre com neblina, tempo muito fechado mas ainda assim deu para perceber que estávamos à porta dos verdadeiros Pirenéus e então quando chegamos ao nosso destino do 1º dia, tivemos essa certeza. Terminamos em Larrau e ficamos num camping que estava de frente para uma parede gigantesca de verde, e no cimo, nas maiores escarpas era possível ver uns pontos brancos (Neve???)… passado algum tempo, esses pontos estavam noutro sítio… que raio?!!! Cabras das montanhas (Chamois)… Incrível, mas ok, toca de fazer mas é a tratar da massa porque amanhã há mais disto!!!

Etapa 2- 07 de junho, com o pequeno almoço tomado (muito speculloos) lá seguimos de Larrau para Laruns. Este já ía ser um dia mais trabalhoso com  2 col´s de respeito, Col du Soudet  e a tenebrosa parede do Col du Marie Blanque.

Lá seguimos e logo a ínicio começamos a subida para o Soudet, onde mais ou menos a meio vimos uma casinha catita que era um restaurante/ bar e nesta altura um café caía que nem gingas! Lá entramos… Uma senhora rechonchuda, Basca a todo nível acompanhada de um cão igualmente rechonchudo e com pêlo até ao fim do mundo, que nem se deu ao trabalho de se levantar parece que aguardavam por nós. Pedimos 3 cafés e 3 fatias de bolo basco. Um dos 3 adiantou-se à carteira e colocou uma nota de 10 euros “pensou… deve chegar e sobrar… nãaaa…”- A senhora rechonchuda na língua nativa disse, são €20,50 “si vous plait”….

 

Regressados à estrada/ subida e recompostos do café e bolo e descompostos da carteira depressa chegámos ao topo do Soudet junto ao cruzamento para Pierre Saint Martin e aí o sol já aparecia… toca a descer para Bedous, almocinho e siga para aquela que pensávamos ser fácil, a danada Maria Branca.

Col du Marie Blanque (por Escot) avisava uma placa, no seu início, que era uma subida de 9,5km com média de pendente de 7,6% (pensamos, ok tranquilo… fácil!!!). lá seguimos e km após km rolávamos a direito e até às vezes descíamos um pouco … mau Maria (literalmente)… então isto não empina??? Há empinou empinou e de que maneira. Para quem conhece o solitário na Serra da Arrábida, imaginem 4 seguidos na segunda metade desta subida e a juntar a isso um calor infernal! Lá se fez e a partir do topo foi sempre a esgalhar até Laruns (Vila muito simpática no sopé do Glamoroso Aubisque).

Neste dia ficamos num parque de campismo que ficava junto (mesmo junto) dum rio de rápidos que trazia água gelada das montanhas. Foi a nossa crioterapia…. Siga pôr a pernoca de molho…. Até faltava o ar de tão quentinha que estava… um senhor mais velhote que nos via fazer aquilo, tentou o mesmo e isso é que ele saltava, rápido se arrependeu. Nós não- “nós sermos duros!” . Uma coisa é certa, no dia seguinte as pernas estavam novas e não tinha sido pela bela noite de sono, já que parece que nessa noite um “urso” com uma respiração que mais parecia uma traineira a arrancar para a faina, teimou em dormir connosco, alguém não aguentou e montou uma tenda de 2seg no exterior e preferiu o fresquinho da noite e o barulho dos rápidos do rio.

Etapa 3- 08 de junho, a manhã começou cedo e tudo a trabalhar para montar mais um dia de espectáculo em cima da bicicleta. Um arranca de bicicleta à vila comprar “les baguettes” só faltava a música do genérico do verão Azul… que romantismo ciclístico… Os restantes preparavam a mesa do pequeno almoço e já se arrumavam as coisas para levantar acampamento. O dia ia ser longo, difícil mas muito bonito, talvez dos mais espectaculares que já se passaram em cima de uma bicicleta.

Km 2, início da subida para o Col d’Aubisque, a mais bonita que se tinha feito até então, que subida, que paisagem, pequenos lagos de uma azul incrível… as Vilas Eaux Bonne, Gourette, tudo isto ao longo de uma subida de 18km até uma altitude de 1710m. Uma subida completamente pornográfica, numa conjugação perfeita.  A entrada nos Altos Pirenéus. Indescritível.

Depois do Aubisque, descíamos um pouco e voltávamos a subir uns poucos  4km para o Col du Soulor. Deste ponto foi sempre a descer até Argèles Gazost, uma vila com uma forte presença ciclista ligada ao Tour. À saída desta vila almoçamos junto a uma ponte romana e seguimos em direcção ao ultimo col do dia o mítico Luz Ardiden.

Passando pelo local que nos iria acolher durante 2 dias, Luz Saint Sauver, viramos à direita para subir e voltar a descer pelo mesmo sitio (só tem mesmo uma forma de se subir) o Luz Ardiden que foi feito no seu final, com chuva e com a descida um pouco mais perigosa.

 

Check-in no camping, jantar, caminhada pela vila e cama porque o dia seguinte era a Etapa Rainha, com o Hautacam e Tourmalet  como pratos do dia no menu.

Etapa 4- 09 de Junho, um dia bom, com sol bem à vista. Seguimos confiantes em direcção ao Hautacam que iria aparecer ao km 18, uma subida que apenas tem uma vertente e ao longo da mesma sente-se um ambiente “Tour” , uma subida com muito história no ciclismo. Ultrapassado este desafio lá seguimos num trajecto circular parando na cidade das aparições Marianas- Lourdes. Local onde neste dia almoçávamos à mesa e com o grupo completo já que a volta acabava no mesmo sítio. No restaurante vincou-se a ideia de que somos mais que as mães e estamos em todo o lado. O senhor que nos serviu era natural de Águeda (terra de bicicletas), é sempre reconfortante, gostamos mais de nós (uns dos outros) lá fora, não sei porquê.

De papo relativamente cheio, seguimos para o gigante dos altos Pirenéus, o famoso, imponente e histórico Col du Tourmalet. A vertente desta subida de 17,5km até uma altitude de 2110m, foi de Sainte Marie de Campan, e a dos 5km de subida, é muito constante em pendentes entre os 8 e 10%. Apanhamos grande parte da subida com o pavimento em reparação porque o Tour iria ali passar 1 mês depois e tudo num momento de neblina intensa que encharcava por completo as roupas.

A cerca de 5km do final, na estância de la Mongie, parámos num bar que parecia tirado daqueles filmes do faroeste, até as portas eram dos mesmo género e os clientes a olharem para nós como forasteiros. A única diferença é que não pedimos whisky, mas sim uma coca cola e uma fatia de cheesecake com mirtilos (10 euros) que soube pela vida.

Siga rumo ao topo, foto da praxe na passagem no alto e descida vertiginosa, desta feita com o sol espectacular até Luz Saint Sauveur, para finalizar mais um dia em terras dos altos pirenéus.

Etapa 5- 10 de Junho, dia do nosso GRANDE PORTUGAL, e dia de etapa anulada devido a chuva e fez com que ficassem por fazer as subidas do tourmalet via Luz Saint Sauver, Aspin e Peyresourde (motivo para lá voltar). Desta forma lá fomos seguindo de caravana pelo trajecto em direcção àquele que seria o final da etapa, Saint Béat.

Chegados a Saint Béat e instalados, o dia melhorou e lá fomos numa voltinha de recuperação até Bagneres de Luchon, vila também muito ligada pela história ao ciclismo. Sentamo-nos num café e fizemos o nosso pedido e a dada altura voltamos a perceber que somos mais que as mães, o dono do café é Português e foi ciclista… iscas canudo… Espetacular,  mais um dia concluído.

Etapa 6- 11 de Junho, dia que enfrentávamos, o Col de Menté, Portet d’Aspet, Col de la Core e col de Latrappe.

Col de Menté, subida muito simpática com uns “lacets” que espevitavam o ritmo e dali ao Portet d’Aspet foi um “tiro” e aí pôde-se assistir ao local e ao monumento em honra do malogrado Fabio Cassartelli, numa curva que foi fatal para ele no tour de 1995 quando decorria a etapa 15 daquela edição.

Terminado o dia, altura em que já se fazia sentir alguma fadiga seguíamos para o penúltimo dia com o Col de Agnes e Col de Paillères na ementa.

Etapa 7- 12 de Junho, uma etapa desgastante e com alguns pequenos contratempos, o dia seguia bem, subindo o Col d’ Agnes e Port de Lers. Subidas muito bonitas, graduais e com boa meteorologia, céu coberto mas pouco vento e boa temperatura. À tarde depois do almoço entravamos em Ax-les-thermes para iniciar a subida ao Col de Paillères, que se revelou muito difícil com chuva, vento e frio que surgiram quase do nada. A descida foi feita complemente encharcados, sobre chuva torrencial e com o físico já um pouco desgastado. Chegados ao parque esperava-nos a caravana à porta só para nos confirmar que aquele parque estava abandonado…. Completamente encharcados e com recursos a mapas (à moda antiga)  e a roteiros de campismo lá viemos a descobrir um parque de 5 estrelas e com jacuzzi…

    

Mas no caminho antes de chegar ainda fomos mandados parar pela “Douane” polícia fronteiriça, que acho que tiveram pena da nossa cara de cães abandonados e desgastados..

Etapa 8, dia 13, último dia em que seguíamos em direcção a Collioure, vila costeira, mediterrânica muito linda…

E assim terminávamos uma aventura que em números representou, 855km, 18,500m de desnível acumulado de subidas, muitas terreolas, col´s, vilas e paisagens na bagagem… Com toda a certeza que um regresso acontecerá mas não em travessia e sim nos mesmos moldes que nos Alpes em 2016.

Logisticamente foi relativamente fácil de concretizar, monetariamente e visto que cozinhávamos o que comíamos, ficávamos em parques de campismo e deslocávamo-nos de bicicleta J a aventura ficou mais barata do que possam imaginar, troquem as inscrições de 8 a 10 grandfondos em Portugal e encontram +/- o valor gasto na aventura.

O regresso foi feito na caravana, numa tirada de mais de 14h, com turnos e só paramos em Vendas Novas para a bifana e sopa de feijão que melhor me soube em toda a vida.

Trouxe comigo nos bolsos dos jerseys, recordações, subidas (algo que adoro), vistas, sensações e uma cansaço tão bom que me fez perceber a liberdade que nos dá uma bicicleta, seja de ferro, alumínio ou carbono…

LINKS das actividades no STRAVA

Etapa 1 (https://www.strava.com/activities/319777961 )

Etapa 2 (https://www.strava.com/activities/320605996 )

Etapa 3 (https://www.strava.com/activities/321114230 )

Etapa 4 (https://www.strava.com/activities/321806329 )

Etapa 5 (https://www.strava.com/activities/323432122)

Etapa 6 (https://www.strava.com/activities/323432351 )

Etapa 7 (https://www.strava.com/activities/324074932 )

Etapa 8 (https://www.strava.com/activities/326275509 )

Até à próxima…

#53onze #LifeIsaSport #KeepItSimple

 

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Potência Normalizada (NP) VS Potência média

Five hours, 363 watts: Wout van Aert’s Strava ride reveals his massive effort at Strade Bianche

Na notícia o que ressalta é a fantástica média de 363 watts durante 5h10 de corrida na Strade Bianche por parte do também fantástico Wout Van Aert que apenas leva 2 corridas de estrada este ano (claro que transporta muito da sua boa forma devido à preparação para o ciclocrosse).
Na verdade este valor respeita à Potência normalizada (NP) a qual representa um valor estimado para a potência que Van Aert hipoteticamente seria capaz de suster nesse mesmo período, excluíndo este valor, valores zero e picos de potência, criando uma linha estimativa de potência mais estável.
A média real do atleta foi de 351 watts, como é possível verificar na notícia. Um resultado na mesma surpreendente.
Mas igualmente surpreendente é que na posse destes 2 valores é possível medir o quão perfeito foi o seu pacing, e foi perfeito para a corrida que é. E ainda para mais esteve em fuga.
O pacing no ciclismo e nos desportos de Endurance é tão somente das coisas mais importantes mas também difíceis de executar.
Assim de repente fazemos uma pequena ideia de qual não será o Limiar anaeróbio em termos de potência (FTP)deste atleta.
Assim de repente surge o número de 400 watts, considerando que ele fez a prova a 90 %.
A ser assim e a considerar os seus cerca de 70 kg está com 5,60 w/kg e em prova andou nos 5 w/kg.

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