Biclas&Bolos

Sabiam que existe um clássico bolo da pastelaria parisiense que foi inspirado numa prova de ciclismo? Esse bolo é o Paris Brest, criado em 1910 pelo chef pasteleiro Louis Durand, que a pedido do jornalista Pierre Giffard se inspirou nesta prova de longa distância, criando este delicado e doce bolo em forma de roda de bicicleta.

O Paris-Brest(na Bretanha)-Paris, é um dos eventos velocipédicos mais antigos do mundo. Consiste em ir de Paris, a Brest e regressar, num total de 1200km.

A primeira edição da prova aconteceu em 1891, tendo como vencedor o francês Charles Terront, concluindo a prova em 71 horas e 22 minutos. Desde a sua primeira edição, a prova realizou-se de dez em dez anos, sendo que a edição de 1941 foi adiada para 1948 devido a Segunda Guerra Mundial. Em 1951 realizou-se a última edição da prova a nível profissional, tendo como vencedor o francês Maurice Diot que até hoje detém o record do percurso, 38 horas e 55 minutos.

De 1931 até aos dias de hoje, a prova realiza-se também a nível amador, sendo realizada de quatro em quatro anos desde 1971.

A última edição neste formato aconteceu em 2015, tendo como vencedor o alemão Bjorn Lenhard, com o tempo de 42 horas e 26 minutos. Além destas duas versões, existe a versão randonnée, um evento não competitivo ao estilo brevet que têm o tempo limite de conclusão de 90 horas.

Para poderem participar neste evento, os atletas precisam de completar uma série de brevets homologados. A série de brevets consiste em um brevet de 200km, um brevet de 300km, um brevet de 400km e um brevet 600km.

Uma coisa sabemos aqui na 53Onze, o mil folhas do rossio de V. N. De Azeitão não é inspirado numa prova de ciclismo, mas inspira-nos muitas vezes a pedalar alguns quilómetros para o saborear.

Texto de @Daniel Louro

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Vegetariano ou Vegan ou Paleo?

E: Bom dia Xana, são 2 abatanados e 2 mil folhas cortados em diagonal.

X: Ok, podem sentar-se que eu levo lá fora (mentira, nós é que levamos)

… Na bela esplanada do belo Rossio de V.N Azeitão, no café que já pode muito bem ser chamado de “café do ciclista” onde a nossa iguaria e muitas vezes motivação para acelerar a volta ou treino é, o melhor mil folhas existente ao cimo da terra, quase sempre acompanhado de um abatanado ou de um chá verde e assim, neste cenário desenvolvem-se diálogos interessantes, projectos e desenham-se épicas aventuras.

Praça do Rossio, Vila Nogueira de Azeitão

E então começa a conversa…

D: É verdade já faz praí uns 6 meses que aderiste ao vegetarianismo?

E: Semi-vegetarianismo sff… ou como por aí se chama agora, flexitarianismo, looool…

D: Ok que seja, é verdade, já te vi comer bifanas entretanto. Como é que te estás a dar com isso, e a relação desses novos hábitos com o desporto?

E: Nunca me senti tão bem! Nunca recuperei tão bem! Não me lembro de passar um inverno sem apanhar uma gripe. Está bem que este ainda não acabou, mas até agora nem um resfriado.

D: Excelente! De que forma é composta a tua dieta?

E: Antes demais, devo dizer que adoptei este comportamento alimentar de uma forma cuidada, ponderada, com alguns conhecimentos, sem extremismos e penso ser uma dieta equilibrada. Somos omnívoros, mas também acho que somos “frugívoros”. Vi e li muito documentário, mas sempre considerando que por vezes esses meios podem ser nocivos, num mundo capitalista, dominado pelas grandes indústrias, que nos servem aquilo que eles bem entendem.

Na minha ideia estamos na era dos desequilíbrios, dos exageros. Não sou completamente a favor do veganismo e muito menos do paleo, contudo respeito, mas começo a ver que isto está a ficar como a guerra entre religiões, andam todos à porrada… e pronto o fanatismo e a loucura chegou ao modo de como nos alimentamos.

 

Da minha dieta retirei aquilo que acredito não nos fazer bem algum, antes pelo contrário. Retirei os produtos lácteos (excepto o queijo), a carne e os ovos (uso claras nas panquecas). O resto mantive. Aumentei o consumo de leguminosas e oleoginosas. Nos hidratos, por ordem de preferência consumo o arroz, batata, massa e pão escuro, quanto aos de assimilação rápida, compotas, speculoos, marmelada, goiabada e pasta de cacau. Como substituto do leite, bebida de Arroz e amêndoa. Consumo também panquecas de aveia. Como peixe moderamente e não digo que não (de vez em quando) a um cozido à Portuguesa, feijoada à transmontana ou mão de vaca com grão… se abdicasse disto iria sentir que tinha abdicado de ser Português.

Bebo 1,5 a 2 lts de água por dia, como cerca de 6 a 7 peças de fruta, bebo café, chá, vinho e cerveja.

Basicamente é isto, haaa e em todos os meus pratos vêm sempre vegetais verdes!!! Bróculos, ervilhas ou feijão verde de preferência.

D: Ok e onde vais buscar a tua proteína?

E: Acho que esta coisa da proteína e das quantidades exageradas que recomendam é uma bela treta e de facto comprovei isso com esta alimentação. Não tomo suplementos de proteína. Apenas e vou buscar proteína em tudo o que referi mais acima. Acho e penso ser dado como certo que a proteína vegetal é a proteína no seu estado puro, logo processamos-la melhor. Ervilhas e leguminosas (feijões e grão) são excelentes fontes de proteína, entre outros.

D: Tomas alguns suplementos para suprir quaisquer carências? Cálcio, ferro etc etc…

E: Tomo um multivitamínico diário, mas isso já o faço desde há muito, dessa forma garanto que nalguns dias mais “vazios” em termos nutritivos, mantenho as necessidades vitamínicas e minerais niveladas… Mas à alimentação vou buscar muito daquilo que preciso. Existe um mineral em carência na nossa alimentação e muito importante, o Iodo, 150 microgramas dia e mantém a nossa glândula da tireoide saudável.

Em relação a outros suplementos, barras, géis, isotónico, recuperador em determinadas fases/alturas, enquadrados com os momentos do treino.

Acima de tudo acho que é preciso ponderação e equilíbrio. Se ontem eramos daqueles que comiam tudo e mais alguma coisa, hoje não podemos por e simplesmente ser Vegans. Acho que pode representar um choque para organismo. Vejo com bons olhos deixar a carne, mas também não vejo mal nenhum em quem adoptou esse comportamento, e de longe a longe, por falta de opção ou até por vontade, comer carne, não é isso que irá fazer mal. Mas constantemente acho que sim e poderá ser a razão de muitos males e doenças.

Tenho pena que os médicos tenham muito pouca ou até nenhuma formação em nutrição. Faço uma pequena ideia da quantidade de doenças que não podem ser evitadas e/ou combatidas com a alimentação, mas lá está, isso abalaria uma industria muito poderosa… que vive à custa das doenças na humanidade…Tem o seu papel importante, sem dúvida, mas acho que o lado escuro é tão maior que os torna carrascos e não curandeiros. Mas isso são outros 500…

O ditado “tu és aquilo que comes” nunca fez tanto sentido para mim… e no mundo do desporto das bicicletas se calhar aplica-se (nos casos de limpinho limpinho) “Tu andas conforme o que comes”…

D: Ok. Queres mais um mil folhas? Dividimos?

E: Venha mais um…

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Categorização de subidas. Como acontece?

Como sabem as subidas que surgem nas provas de ciclismo são categorizadas por forma a atribuírem determinada classificação (pontos) para o REI da montanha- KOM.

As categorias são:

Cat.4;  Cat.3; Cat.2; Cat.1 e HC (Hors categorie)

Lacets Montvernier (Alpes Franceses)

A forma como se diz serem determinadas estas categorias na teoria são:

Categoria 4

2km a 6% de pendente médio

4km abaixo 4% de pendente médio

Categoria 3

2-3km a  8% (de pendente médio ou menos mas com algumas rampas)

2-4km a 6% de pendente médio

4-6km a 4% de pendente médio

Categoria 2

5-10km a 5-7% de pendente médio

10+km a 3-5% de pendente médio

Categoria 1

5-10km a >8%  de pendente médio

10-15km a 6% de pendente médio

HC

15+km a 8%+ (Alpe D’huez, etc.)

20+km (Galibier)

Muitas vezes poderá na verdade ser uma de categoria 1 mas se for a última da etapa será classificada como HC.

TdF2017 Etapa 9

Isto é a forma de as classificar na teoria mas a verdade é que a ASO (Amaury Sports Organization)a responsável pela organização dos 3 grandtours e não só, mais a UCI,  muitas vezes classificam as subidas de uma forma muito própria sem olhar à teoria e olhando ao valor mítico da subida, à sua fama, à forma como estão dispostas nas etapas e por conseguinte possam influenciar a classificação da montanha a fim de garantir mais espectáculo.

Parece-nos aceitável e compreensível esta forma de classificação mas a melhor de todas é a que antes se fazia e decorria da seguinte forma:

Era utilizado um Citroen de 2CV e, colocavam o dito a fazer as subidas que queriam que integrassem as etapas e se, o carro fizesse a subida na 4ª mudança a categoria seria 4, se a fizesse em 3ª, seria essa subida de 3ª categoria e assim por diante. Se o carro não conseguisse ultrapassar a subida seria HC… Muito bom… Excelente… a mente humana no seu melhor!!!

Noutros tempos utilizado para categorização das subidas nas provas de ciclismo

Fica aqui um link das subidas pavimentadas mais altas da Europa e que os editores da 53onze têm o orgulho de já ter umas quantas no repertório

Estradas mais altas da Europa

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Potência Normalizada (NP) VS Potência média

Five hours, 363 watts: Wout van Aert’s Strava ride reveals his massive effort at Strade Bianche

Na notícia o que ressalta é a fantástica média de 363 watts durante 5h10 de corrida na Strade Bianche por parte do também fantástico Wout Van Aert que apenas leva 2 corridas de estrada este ano (claro que transporta muito da sua boa forma devido à preparação para o ciclocrosse).
Na verdade este valor respeita à Potência normalizada (NP) a qual representa um valor estimado para a potência que Van Aert hipoteticamente seria capaz de suster nesse mesmo período, excluíndo este valor, valores zero e picos de potência, criando uma linha estimativa de potência mais estável.
A média real do atleta foi de 351 watts, como é possível verificar na notícia. Um resultado na mesma surpreendente.
Mas igualmente surpreendente é que na posse destes 2 valores é possível medir o quão perfeito foi o seu pacing, e foi perfeito para a corrida que é. E ainda para mais esteve em fuga.
O pacing no ciclismo e nos desportos de Endurance é tão somente das coisas mais importantes mas também difíceis de executar.
Assim de repente fazemos uma pequena ideia de qual não será o Limiar anaeróbio em termos de potência (FTP)deste atleta.
Assim de repente surge o número de 400 watts, considerando que ele fez a prova a 90 %.
A ser assim e a considerar os seus cerca de 70 kg está com 5,60 w/kg e em prova andou nos 5 w/kg.

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