Controlo e prescrição de treino em Ciclismo (Estrada/Btt)

A 53onze trata-se de uma página dedicada ao Ciclismo. Dedica-se ao treino desportivo, à nutrição adaptada ao desporto, às crónicas de aventuras e provas em bicicleta e tudo o que gira à volta desta fantástica modalidade.
A 530nze apresenta aos seus seguidores o serviço de treino personalizado de ciclismo e btt assente no princípio da individualidade. Cada um é como cada qual. Nem todos assimilam as mesmas cargas e os mesmos volumes de treino. É deveras importante conhecer e compreender o atleta, caso contrário será impossível prescrever um treino adequado.
O serviço de controlo de treino (personalizado) através de treinador de ciclismo detentor de cédula profissional inclui sempre:
– Entrevista, determinação de objectivos (calendarização/periodização);
– Avaliações físicas por via directa ou indirecta:
– Avaliação antropométrica com pregas e determinação do somatotipo;
– Aconselhamento nutricional para ajuste de peso consoante a modalidade;
– Adaptação da suplementação às diferentes fases de treino;
– Controlo, prescrição e ajuste de treino semanal. Acompanhamento em algumas sessões;
– Controlo e prescrição de treino em ginásio (pré época);
– Correcção de postura na bicicleta (bikefit) com recurso a vídeo análise.
– Acesso preços reduzidos em marca de nutrição premium- NUTREND;
– Acesso a preços reduzidos em training camps.
(Exemplo de microciclos de treino com vista a um objectivo)
Quadro de análise de performance
Para mais informações:
https://www.strava.com/clubs/53_onze
Please follow and like us:

Potencíometros. O Santo graal do treino no ciclismo!

O que é isto do potenciómetro? Para que serve? É indispensável? O que nos dá? Qual comprar?

Antes de começar queremos dizer que não iremos entrar em detalhes demasiado técnicos, não é esse o objectivo deste post.

Um potenciómetro é como uma chave de fendas, ou seja uma autêntica ferramenta aplicada única e exclusivamente ao treino, à performance e à analise de dados provenientes das cargas que efectuamos em treino ou competição!

Esta ferramenta serve apenas, na nossa opinião, aqueles que pretendem elevar o seu nível de forma/ performance de maneira que apresentem melhores prestações em competição, seja ela super amadora ou profissional claro.

Não basta ter um potenciómetro para começarmos a andar como nunca. Com a compra de um potenciómetro devemos “assinar” uma espécie de contrato; um contrato com a disciplina; com o método e muito provavelmente com um treinador… Não é só comprá-lo, não nos serve de nada se não soubermos interpretar o que ele nos dá. Isso já é sabido!

Quando chega à hora de pensar em comprar um potenciómetro, deparamo-nos com valores altos, mas na verdade que começam a baixar e aí surgem as grandes dúvidas, uma vez que começamos a verificar potenciómetros no mercado com grandes diferenças/ intervalos de preço entre uns e outros e depois surge também a velha conversa da precisão dos potenciómetros, o quão precisos/ exatos são, comparando uns com outros; SRM com Stages, Quarcks com Powertaps, Garmins com 4iiii etc etc…

Parece-nos muitas vezes, salvo algumas excepções, ridículo comparar os valores de potenciómetros diferentes. Vê-se pela internet fora muitos a analisar e comparar potenciómetros, mas esquecem-se sempre de dizer que essas comparações e que os resultados dessas comparações interessam quando o utilizador tem e treina com potenciómetros diferentes ou quando se quer comparar com outros atletas.

O que queremos dizer com isto e o que é que realmente importante na compra de UM potenciómetro?

1º É que muito provavelmente vamos apenas comprar um potenciómetro e ai o importante é pesquisar se a marca oferece um bom suporte ao longo da utilização do produto;

2º se é compatível com o nosso ciclocomputador, ant+, bluethoot smart?!?! ;

3º Se o tipo de potenciómetro se adpata ao “host” ou seja à bicicleta. Os tipos de potenciómetros, os que medem o torque são vários, desde pedais, cubos, cranks, aranhas.

4º Se detemos o conhecimento para analisar os dados, o melhor software para os absorver etc ou se estamos dispostos a pagar alguém para fazer isso por nós e treinar-nos com a melhor ferramenta possível conseguida até hoje.

Com especial referência ao ponto 1, à questão de que vamos apenas comprar UM potenciómetro é aí que reside a questão do porquê ou da importância da precisão em relação a outros ( o desvio) que na maioria dos casos é mínimo. É que na verdade vamos apenas treinar com aquele potenciómetro, é com ele que nos vamos testar e encontrar as nossas exatas zonas de treino e as ajustando ao longo da época, não vamos treinar com um Stages e correr com um SRM! Claro que não, se assim fosse ok, aí fariam diferença e as tais comparações, faria sentido para perceber se estaríamos em campos idênticos com pouco desvio.

Importante é um potenciómetro que preencha os requisitos acima referidos, de fácil calibração, isso sim é importante e que seja consistente, esta é a palavra que deveria estar por trás de todos os testes de potenciómetros, CONSISTÊNCIA!!! Isso é que importa na nossa chave de fendas de treino!!! Poder reproduzir as mesmas condições em todas as condições!!!

Se é importane que seja preciso? Sim é! Mas pensamos que os potenciómetros que saem para o mercado o serão, com margens de erro +/- mínimas, o necessário para considerarmos que a força que estamos a produzir e o valor resultante dessas forças, no visor do nosso ciclocomputador , em watts, é o mais próximo do real.

Os preços já são muito mais atingíveis a qualquer um!!! E se nos perguntarem se vale a pena comprar um potenciómetro, sim! Vale muito a pena, mas para se elevarem e competirem! Não serve para nada só para andarem aí a fazer segmentos no strava ou nas voltas domingueiras.

Vale mais esta ferramenta que umas rodas de carbono! E é mais barato. Isto apenas se estiverem indecisos entre uma compra e outra 😉

Num próximo artigo falaremos de alguns dos dados que os potenciómetros nos oferecem, algumas dicas de utilização desta ferramenta e sobre um novo produto de uma “Kickstarter” que está para sair e que representará um bom alivio para a carteira e sobre o qual já existem algumas informações.

 

#53onze #LifeIsaSport #Performance #watts

Please follow and like us:
Alpes “cerise sur le gâteau”

Alpes “cerise sur le gâteau”

Poder visitar partes do maciço Alpino, seja o Francês, o Italiano ou o Suíço, reservando estes os topos mais míticos, é um sonho para qualquer amante de ciclismo. Parece por vezes inatingível a qualquer Europeu do Sul chegar até estas bandas, mas não… é relativamente fácil!

Em Junho de 2015, os 4 aventureiros que viajavam vindos de terras pirenaicas, de regresso a Portugal após ter efectuado a travessia dos Pirenéus do Cantábrico ao Atlântico em 8 dias (ver história aqui), naqueles mais de 1000 km de viagem numa caravana, ainda com as pernas a latejar das marretadas que levaram, já nascia e falava-se sobre a vontade de elevar a fasquia e de se subir mais a norte (Alpes) ficando apalavrada mais essa aventura épica.

Uns meses depois, e após algumas conversas pré-preparativos…. em meados de Novembro de 2015, recebo (Daniel) uma chamada do Edgar a perguntar se quero ir dar uma voltinha até à região de Sabóia, região esta atravessada por parte do maciço Alpino. Seria por alturas de Julho seguinte. Obviamente que respondi que sim, após saber que a cerveja, café e bolaria fariam parte da brincadeira.

E então começaram os planos…

Desta feita a turma que seguiu para esta aventura foi um pouco maior em relação à que se aventurou em solos pirenaicos no ano anterior. No total a equipa atingiu o número de 8 elementos o que fez com que os aspectos logísticos fossem um pouco mais complexos e com pormenores diferentes e porque também esta aventura se desenrolaria num formato diferente. Não seria em travessia, mas sim todos os 4 dias (etapas) regressaríamos sempre ao mesmo local.

1ª Questão a decidir: Local

Saint-Jean-de-Maurienne seria o nosso Quartel General para os 4 dias de euforia ciclística. Classificada como a capital mundial dos Cyclo Grimpeurs (ciclo trepadores). Perfeitamente situada num vale central, perto dos principais col’s que queríamos atravessar. O Camping des grand Col foi o escolhido para as pernoitas dos aventureiros.

2ª questão: Data

Foi aqui nesta escolha que colocamos a “cerise sur le gâteau”… pumba, decidimos enquadrar a coisa com a altura em que o Tour passava ali perto, possibilitando desta forma num dos dias podermos assistir à partida e a uma passagem num outro local.

As próximas questões prenderam-se com os detalhes logísticos que resumidamente foram:

Bicicletas?

R: Alugadas e entregues no dia da primeira etapa no Parque de Campismo.

Como chegar a Saint-Jean-de-Maurienne da forma mais barata e rápida possível?

R: Voo low cost até Lion e daí um táxi (monovolume) para 7 dos 8 aventureiros.

Entretanto surgiram algumas questões que se prenderam com o  material que teríamos de levar, como tal uma tnda para 4, sacos de cama etc etc… Como o nosso amigo Mesquita iria de caravana, na já conhecida Mirage, uns dias antes para SJdM vindo da Bélgica, local onde reside, enviamos para a sua residência esses bens, que o mesmo transportou depois na caravana. E como no final da aventura ele regressaria a Portugal de caravana, tudo ok e questão resolvida.

A partir daqui a espera foi igual a de uma criança que espera ansiosamente pelo natal…

Com tudo tratado foi apenas começar os treinos de preparação, alguns deles em conjunto com uma subida a Fóia, Serra de Monchique. Entretanto, muitas subidinhas na Serra da Arrábida, Serra da Estrela etc etc…

E eis que então chega o dia…

Dia 0 – 19/7/2016 – Viagem 

 

Na hora marcada lá estávamos nós no aeroporto prontos para toda a logística inerente a uma viagem de avião… mas não começou como esperávamos. O voo atrasou 2h e lá tivemos de avisar o motorista que nos iria fazer o transfer de Lion para Saint Jean de Maurienne e acertar uma nova hora.

Depois da espera, lá viajamos sem sobressaltos durante 2 horas até Lion, onde à saída do aeroporto lá estava o motorista identificado por uma tabuleta com um dos nossos nomes e que nos levou até ao nosso destino onde já aguardava o nosso companheiro Mesquita que já tinha o acampamento montado e a massa pronta! Espétaculo!

Quartel General Alpes 2016

Dia 1 – 20/7/2016 – Col du Télégraphe e Col du Galibier (Tocar no teto dos Alpes)

Por volta das 9h e já depois de tomarmos um bom pequeno almoço, com pão fresco, papas de aveia café e muitos Speculoos, chegaram as bicicletas que alugamos e depois de uns pequenos ajustes lá nos fizemos a estrada, ainda antes das 10h, para atacar o Col du Télégraphe e de seguida o Col du Galibier, numa tirada num total de 100km com cerca de 2500 metros de subida acumulada. 

Saímos do parque e fomos em direcção a Saint Michel de Maurienne, onde começaria a subida de 11,18km com pendente média de 7% que nos levaria ao Col du Télégraphe, a 1566 metros de altitude. Subida relativamente rápida da qual tivemos em parte a companhia de uma btt eléctrica que a dada altura desapareceu por dentro dos trilhos que desaguavam na estrada.

Estava tudo extasiado com a subida, com a paisagem deslumbrante dos Alpes no verão e com as marcas na estrada que nos relembram que o Tour passa por ali. Sim, parecia um sonho, estávamos a fazer subidas icónicas do Tour e que normalmente só vemos na TV.

Chegados lá a cima é altura de tirar a foto da praxe e descer em direção a Valloire, para comer algo e de seguida enfrentar os 17,60km com 7% de inclinação média, que nos levariam dos 1400 aos 2642 metros de altitude. 

A paisagem do Galibier é contrastante, com o verde dos vales e a neve nos picos mais altos, indescritível a beleza deste Gigante Alpino, só visto. Até aqui teria sido o topo mais alto que havíamos tocado.

É incrível o poder e energia que os Alpes nos transmitem.

Depois foi sempre a descer até ao parque de campismo pelo mesmo caminho, parando de novo em Valloire para abastecimento. 

Chegados ao parque de campismo foi lambusarmo-nos nos típicos lanches de final de volta com cerveja de abadia à mistura. O melhor recuperador.

Depois foi distribuir tarefas e ir às compras. Esta parte aos dois a quem tocou a parte de ir às compras foi um pouco complicada. Querer ser um Sagan e  querer ir às compras de bicicleta carregados com 2 sacos cheios de compras cada um, não foi a melhor das opções porque deu queda, compras espalhadas no chão, que figurinhas tristes… mas felizes porque estavam na meca dos Col’s…

Dia 2 – 21/7/2016 – Col du Glandon, Alpe D’Huez e Col de la Croix de Fer- L’étape Reine

E a etapa rainha desta aventura chegou. 

Para este dia tínhamos reservados 165km com 5000 metros de acumulado, no menu tínhamos o lindíssimo Col du Glandon, o épico e famoso Alpe D’Huez e o temível Col de la Croix de Fer.

Acordamos cedo e fizemos-nos a estrada. Ainda nem tínhamos percorrido 20km e já estávamos a subir o magnífico Col du Glandon, uma das subidas mais bonitas por nós feitas, numa manhã cinzenta mas amena, parecia dar mais romancismo a esta subida que a chegar ao topo soltou algumas pingas de chuva mas nada de mais. 19,52 km de subida de pura beleza em estado natural que nos fizeram distrair da dureza da subida que nos levou aos 1924 metros de altura. 

Feito o Glandon era altura de descer cerca de 30km, pelo Col de Croix de Fer, descida esta que no final do dia seria subida, passando na bela barragem de Verney e parando em Le Bourg d’Oisans para almoçar e reabastecer de água.

Feito o abastecimento era tempo de nos dirigirmos para as 21 curvas que dão formato àquele zigue zague do famoso Alpe D’Huez.

Cada curva tem história, cada curva respira ciclismo e cada curva homenageia os ciclistas que as subiram mais rápido nas edições em que o Tour por lá passou, como o nosso José Agostinho, homenageado na curva 17 e com placa na curva 14 devido à sua vitória na etapa do tour de 1979. 

A sensação de fazer as 21 curvas e acabar na estância de Huez é incrível, ali respira-se e sente-se ciclismo, havendo sempre gente que aplaude quem chega de bicicleta,  dando sempre alento e fazendo-nos imaginar uma chegada do Tour.

Alpe D’Huez feito e era tempo de recuperar para descer em direcção ao temível Croix de Fer.

No Croix de Fer esperava-nos 24km de subida, com umas pequenas descidas pelo meio, que nos levariam aos 2067 metros de altitude. Mas que rampas e que agressividade tem esta subida nos seus 2 primeiros terços.

A meio, lá paramos num cafezito e para nosso espanto, gelados corneto a 1 euro??? Uiii siga, vamos lá acbar com isso… por estas bandas, luxos destes a estes preços não se encontram todos os dias …

Depois dos gelados lá nos fizemos de novo a subida até que o topo foi atingido e a partir daí uma frenética descida de cerca de 30km levava-nos quase directamente até ao parque. 

Contas feitas passamos 9h a pedalar e o que mais queríamos era comer e dormir. Mas que dia… nesse dia ninguém cozinhou…Sai pizzas para toda a gente.

Dia 3 – 22/7/2016 – Ver o Tour 

O dia amanheceu chuvoso, é assim a meteorologia em alta montanha, nunca sabemos como vai estar. Lá tivemos de recorrer ao improviso e alterar os planos. O improviso e a adaptação faz parte das aventuras e dá um certo toque à coisa.

Desta forma tivemos de aguardar que parasse de chover e recorrendo a uma mapa (à antiga) traçávamos o plano para logo que o sol desse o ar da sua graça ou a chuva se fosse embora.

E assim foi, logo que o tempo melhorou seguimos de imediato para Albertville, local onde começava a etapa 19 do Tour e assim pudéssemos assistir ao seu começo. Ainda conseguimos assistir á partida simbólica! Foi por pouco.

Depois deste momento seria ver uma nova passagem em Queige, mas ainda tínhamos tempo e por isso fomos almoçar àquela cadeia de restaurantes famosos de cozinha americana (sabem do que falamos?). Local este onde foi possível mostrar mais uma vez que gostamos de dar nas vistas, quando um dos nossos aventureiros despeja o tabuleiro dos restos e lixo juntamente com a carteira… resultado… ver foto…

Dali foi seguir para Queige, a espera foi longa, mas ao aumentar do som dos helicópteros, que significava que o pelotão estava perto, a euforia aumentava. Que frenesim é esta corrida. De facto algo do outro mundo. Só visto mesmo.

Aí veem eles, e para premiar esta passagem vemos o Rui Costa na fuga, o que nos levou a gritar automaticamente; “vai Rui! vai Rui!”

Depois de uns minutos a interiorizar o facto de termos visto a maior prova velocipédica do mundo é tempo de regressar a base que ainda falta um dia. 

Dia 4 – 23/7/2016 – Lacets de Montvernier, Col du Chaussy e Col de La Madeleine

Última dia a pedalar nos Alpes franceses, e no menu tínhamos os lindíssimos Lacets de Montvernier, seguidos do Col du Chaussy e do famoso Col de La Madeleine.

Os Lacets de Montvernier, é uma subida relativamente curta que serpenteia uma encosta ao longo de cerca de 4km, imediatamente seguidos pelos cerca de 10k do Col du Chaussy, que nos levaria a 1533 metros de altitude. 

 

O tempo fez com que esta subida fosse idílica derivado a neblina e ao nevoeiro, o que tornou a subida ao longo de pastos e aldeolas especial. 

Chegados ao topo é tempo de abastecer, beber algo quente na estalagem que se encontra no topo e fazermos a descida que nos levaria a cerca do km 4 do Col de La Madeleine, subida de 19km que nos eleva até aos 2000 metros de altura. 

Último Col conquistado e é hora de regressar ao parque, fazendo os 19km do Col a descer até La Chambre e depois seguindo até Saint Jean de Maurienne para nos prepararmos para a despedida desta aventura épica.

O início e final dos dias era sempre igual, entre banhos e lavagem de roupas as tarefas eram entre todos, em que uns iam às compras, outros preparavam as refeições e outros lavavam a loiça (sim, que nestas coisas não há cá serviço VIP. Perdia muito a piada acreditem). 

Além disso sempre que chegávamos ao parque estavam a nossa espera umas belas e frescas cervejas belgas escolhidas a preceito pelo capitão flecha.

No dia 24, foi o dia de regresso a casa, com uma magnífica viagem de comboio até Lion, onde deu para um passeio pela cidade ainda antes do regresso a casa. 

No final da jornada contabilizamos um total de cerca de 24h e 41m a pedalar, com perto de 500km percorridos e 12000 metros de subida acumulada… mas acima de tudo passamos bons momentos de entre-ajuda, companheirismo, diversão, amizade e muita coisa que ficou por contar neste longo texto porque é difícil transpor em frases e adjectivar a tamanha beleza desta região e do misticismo ciclístico que ela proporciona aos seus visitantes.

Até breve Alpes. 

Links das actividades STRAVA:

Etapa 1

Etapa 2

Etapa 3

Etapa 4

 

Texto de

@Daniel Louro e Edgar Santos

 

Please follow and like us:

O inferno do Norte. Um domingo no Inferno. A Rainha das Clássicas.

O inferno do Norte. Um domingo no Inferno. A Rainha das Clássicas.
Um dos vários troços de pavê do Paris-Roubaix
É conhecida por estes nomes aquela que pode muito bem encabeçar lista das corridas mais duras do mundo onde parece que os elementos se juntam por forma a derrotar o Homem em cima de uma bicicleta. Desde as condições climatéricas, o terreno, a distância o nervoso do pelotão no meio do êxtase dos adeptos e a pressão de ganhar A Corrida.
2014, Paris – Roubaix, Bmc 2014, Van Avermaet Greg, Burghardt Marcus, Bourghelles a Wannehain
Muito já se escreveu sobre esta prova portanto é suficiente assistir ao trailer e depois esperar pelo som do sino que assinala a última volta no velódromo de Roubaix e onde se conhecerá a nova chapa a ser colocada num dos míticos chuveiros dos Balneários do velódromo de Roubaix.
Roubaix Showers

Paris-Roubaix teaser- Aqui

Paris-Roubaix 2018 trailer- Aqui

Paris-Roubaix Faces- Aqui

Documentário “A Sunday in Hell 1976”- Aqui

A informação sobre os 29 sectores de pavê desta edição- Aqui

Até domingo… Com toda a certeza teremos espectáculo… Infelizmente segundo as previsões se houver chuva será pouca… 😛

 

 

 

Please follow and like us:

Maiorca… O éden das bicicletas.

“Heaven on earth”

Por certo é um paraíso para os veículos de 2 rodas puxados por alavancas que são comummente designadas por pernas.

Maiorca é a maior ilha do arquipélago das Ilhas Baleares localizada a leste da Espanha e sua maior cidade e capital é Palma de Maiorca. Dispõe de subidas altamente pornográficas, vistas de perder a cabeça, estradas em excelente qualidade e um clima ameno que compõe um cenário idílico para os amantes do ciclismo de aventura, do cicloturismo.

Por certo já está nos planos da 53onze uma visita a esta ilha, já está orçamentado… agora é só colocar no calendário.

Nesta ilha, é possível desenhar um menu de degustação de subidas, estradas e vistas, comparativamente adequado a um restaurante de várias estrelas Michelin.

O “must” nesta viagem tem de ser para as subidas que se passam a descrever:

Sa Calobra

Subida de 9,6km com pendente médio de 7% e com pendentes máximos de 13%

Puig Major

Com 13.6km, pendent médio de 6% e máximo de 9%

Coll de Sóller

Esta será o Alp d’Huez lá do sítio, com 16 curvas cotovelo, um autêntico zigue zaguear subida acima.

Subida de 7.3km com pendente médio de 6% e máximo de 7%

Coll de sa Batalla

Subida de 7.8km com pendente médio de 5% e máximo de 8%

Coll de Femenia

Subida de 7.5km com pendente médio de 5% e máximo de 8%

Coll d’Honor

Subida de 4.7km com pendente médio de 6% e máximo de 9%

San Salvador

Subida de 4.7km com pendente médio de 7% e máximo de 15%

Puig de Randa

Subida de 4.7km com pendente médio de 5% e máximo de 7%

Coll de la Creueta

Subida de 3.2km com pendente médio de 6% e máximo de 9%

Cap de Formentor

Não se considera bem uma subida mas para chegar ao farol distam 18km a 1% de pendente.

Desta forma, consideramos estarem reunidas condições para desbravar estas subidas e todas as outras que se nos atravessarem no caminho. E nos “intervalos da chuva” há sempre espaço para um mergulho nas suas belas e paradisíacas praias ao som de uma cerveja a descer pela goela abaixo!!!

O céu na terra para umas férias ciclísticas.

Geo-estrategicamente bem localizada,  para o fim que aqui falamos, a melhor forma de encarar esta aventura é ir até lá de mochilinha às costas, flip flops e calçõezinhos de ir à pesca, com o capacete já colocado na “moina” 🙂 e os sapatos de encaixe ao ombro.

Levar a nossa “fininha”??? Jamais!!! Não compensa o risco e as despesas inerentes a esta vontade parva de levar a nossa bike, sim estava a falar da bike.

Levar a nossa bike para uma aventura transfronteiriça implica no pagamento de entre 90 a 120€ à companhia de aérea escolhida, a isto fica associado o enorme risco de peças ou quadro partido. Porque para o “handler” aeroportuário o carbono é indestrutível… “alguém há-de lhes ter dito isso… quem não sabemos… mas se soubéssemos…. “. Além disto investir numa mala de transporte, upa upa e fica puxadote.

NÃO COMPENSA. Acreditem que o vosso rabinho não é esquisito.

Além fronteiras, nos locais mais procurados, Pireneus, Alpes, Côte D’Azur e este que aqui falamos, a oferta e o “range”  é imenso, até para os meninos que só sentam as suas peles em material de ponta, Di2, rodinhas da fina flôr e afins, a pensarem que assim não “ganem” nas subidas ou porque vão preocupados com as aparências… E tudo a preços que compensam de longe, e deixar as nossas “meninas” na segurança do nosso lar.

Nota: Ao enveredar pela hipótese de alugar bicicleta no local de destino, uns dias antes temos de dedicar muito tempo com a nossa, falar com ela, cuidar dela, lavá-la, oleá-la, pôr uma peçinha nova ou umas fitas de guiador novas… etc…  mas não contar-lhe tudo… apenas dizer-lhe que vamos de viagem em trabalho.

E como chegar a Maiorca?

  • A pé+ferry, looooool,
  • Avião (várias hipóteses, pesquisem!);
  • Carro e ferry.

Qual a que achamos mais célere e menos dispendiosa? De avião, mas a partir de Espanha.

Quanto à estadia? Muita oferta! Desde booking, AirBnB, etc… no limite, dormir num sopé de uma qualquer subida/ montanha também nos parece plausível.

Já estamos a tentar encaixar esta no calendário e seria muito bom poder brevemente fazer um “review” da aventura!!!

#53onze #KeepItSimple #LifeIsaSport

Please follow and like us:

Biclas&Bolos

Sabiam que existe um clássico bolo da pastelaria parisiense que foi inspirado numa prova de ciclismo? Esse bolo é o Paris Brest, criado em 1910 pelo chef pasteleiro Louis Durand, que a pedido do jornalista Pierre Giffard se inspirou nesta prova de longa distância, criando este delicado e doce bolo em forma de roda de bicicleta.

O Paris-Brest(na Bretanha)-Paris, é um dos eventos velocipédicos mais antigos do mundo. Consiste em ir de Paris, a Brest e regressar, num total de 1200km.

A primeira edição da prova aconteceu em 1891, tendo como vencedor o francês Charles Terront, concluindo a prova em 71 horas e 22 minutos. Desde a sua primeira edição, a prova realizou-se de dez em dez anos, sendo que a edição de 1941 foi adiada para 1948 devido a Segunda Guerra Mundial. Em 1951 realizou-se a última edição da prova a nível profissional, tendo como vencedor o francês Maurice Diot que até hoje detém o record do percurso, 38 horas e 55 minutos.

De 1931 até aos dias de hoje, a prova realiza-se também a nível amador, sendo realizada de quatro em quatro anos desde 1971.

A última edição neste formato aconteceu em 2015, tendo como vencedor o alemão Bjorn Lenhard, com o tempo de 42 horas e 26 minutos. Além destas duas versões, existe a versão randonnée, um evento não competitivo ao estilo brevet que têm o tempo limite de conclusão de 90 horas.

Para poderem participar neste evento, os atletas precisam de completar uma série de brevets homologados. A série de brevets consiste em um brevet de 200km, um brevet de 300km, um brevet de 400km e um brevet 600km.

Uma coisa sabemos aqui na 53Onze, o mil folhas do rossio de V. N. De Azeitão não é inspirado numa prova de ciclismo, mas inspira-nos muitas vezes a pedalar alguns quilómetros para o saborear.

Texto de @Daniel Louro

Please follow and like us:

Vegetariano ou Vegan ou Paleo?

E: Bom dia Xana, são 2 abatanados e 2 mil folhas cortados em diagonal.

X: Ok, podem sentar-se que eu levo lá fora (mentira, nós é que levamos)

… Na bela esplanada do belo Rossio de V.N Azeitão, no café que já pode muito bem ser chamado de “café do ciclista” onde a nossa iguaria e muitas vezes motivação para acelerar a volta ou treino é, o melhor mil folhas existente ao cimo da terra, quase sempre acompanhado de um abatanado ou de um chá verde e assim, neste cenário desenvolvem-se diálogos interessantes, projectos e desenham-se épicas aventuras.

Praça do Rossio, Vila Nogueira de Azeitão

E então começa a conversa…

D: É verdade já faz praí uns 6 meses que aderiste ao vegetarianismo?

E: Semi-vegetarianismo sff… ou como por aí se chama agora, flexitarianismo, looool…

D: Ok que seja, é verdade, já te vi comer bifanas entretanto. Como é que te estás a dar com isso, e a relação desses novos hábitos com o desporto?

E: Nunca me senti tão bem! Nunca recuperei tão bem! Não me lembro de passar um inverno sem apanhar uma gripe. Está bem que este ainda não acabou, mas até agora nem um resfriado.

D: Excelente! De que forma é composta a tua dieta?

E: Antes demais, devo dizer que adoptei este comportamento alimentar de uma forma cuidada, ponderada, com alguns conhecimentos, sem extremismos e penso ser uma dieta equilibrada. Somos omnívoros, mas também acho que somos “frugívoros”. Vi e li muito documentário, mas sempre considerando que por vezes esses meios podem ser nocivos, num mundo capitalista, dominado pelas grandes indústrias, que nos servem aquilo que eles bem entendem.

Na minha ideia estamos na era dos desequilíbrios, dos exageros. Não sou completamente a favor do veganismo e muito menos do paleo, contudo respeito, mas começo a ver que isto está a ficar como a guerra entre religiões, andam todos à porrada… e pronto o fanatismo e a loucura chegou ao modo de como nos alimentamos.

 

Da minha dieta retirei aquilo que acredito não nos fazer bem algum, antes pelo contrário. Retirei os produtos lácteos (excepto o queijo), a carne e os ovos (uso claras nas panquecas). O resto mantive. Aumentei o consumo de leguminosas e oleoginosas. Nos hidratos, por ordem de preferência consumo o arroz, batata, massa e pão escuro, quanto aos de assimilação rápida, compotas, speculoos, marmelada, goiabada e pasta de cacau. Como substituto do leite, bebida de Arroz e amêndoa. Consumo também panquecas de aveia. Como peixe moderamente e não digo que não (de vez em quando) a um cozido à Portuguesa, feijoada à transmontana ou mão de vaca com grão… se abdicasse disto iria sentir que tinha abdicado de ser Português.

Bebo 1,5 a 2 lts de água por dia, como cerca de 6 a 7 peças de fruta, bebo café, chá, vinho e cerveja.

Basicamente é isto, haaa e em todos os meus pratos vêm sempre vegetais verdes!!! Bróculos, ervilhas ou feijão verde de preferência.

D: Ok e onde vais buscar a tua proteína?

E: Acho que esta coisa da proteína e das quantidades exageradas que recomendam é uma bela treta e de facto comprovei isso com esta alimentação. Não tomo suplementos de proteína. Apenas e vou buscar proteína em tudo o que referi mais acima. Acho e penso ser dado como certo que a proteína vegetal é a proteína no seu estado puro, logo processamos-la melhor. Ervilhas e leguminosas (feijões e grão) são excelentes fontes de proteína, entre outros.

D: Tomas alguns suplementos para suprir quaisquer carências? Cálcio, ferro etc etc…

E: Tomo um multivitamínico diário, mas isso já o faço desde há muito, dessa forma garanto que nalguns dias mais “vazios” em termos nutritivos, mantenho as necessidades vitamínicas e minerais niveladas… Mas à alimentação vou buscar muito daquilo que preciso. Existe um mineral em carência na nossa alimentação e muito importante, o Iodo, 150 microgramas dia e mantém a nossa glândula da tireoide saudável.

Em relação a outros suplementos, barras, géis, isotónico, recuperador em determinadas fases/alturas, enquadrados com os momentos do treino.

Acima de tudo acho que é preciso ponderação e equilíbrio. Se ontem eramos daqueles que comiam tudo e mais alguma coisa, hoje não podemos por e simplesmente ser Vegans. Acho que pode representar um choque para organismo. Vejo com bons olhos deixar a carne, mas também não vejo mal nenhum em quem adoptou esse comportamento, e de longe a longe, por falta de opção ou até por vontade, comer carne, não é isso que irá fazer mal. Mas constantemente acho que sim e poderá ser a razão de muitos males e doenças.

Tenho pena que os médicos tenham muito pouca ou até nenhuma formação em nutrição. Faço uma pequena ideia da quantidade de doenças que não podem ser evitadas e/ou combatidas com a alimentação, mas lá está, isso abalaria uma industria muito poderosa… que vive à custa das doenças na humanidade…Tem o seu papel importante, sem dúvida, mas acho que o lado escuro é tão maior que os torna carrascos e não curandeiros. Mas isso são outros 500…

O ditado “tu és aquilo que comes” nunca fez tanto sentido para mim… e no mundo do desporto das bicicletas se calhar aplica-se (nos casos de limpinho limpinho) “Tu andas conforme o que comes”…

D: Ok. Queres mais um mil folhas? Dividimos?

E: Venha mais um…

Please follow and like us:

Flandres. A Meca das clássicas!!!

Terra de bosques e muros em pavê, a Flandres ou Vlaanderen, é a meca das clássicas de ciclismo.

É lá que decorrem as clássicas (as WT):

Omloop Het Nieuwsblad;

E3 Harelbeke

Gent- Wevelgem

Dwars Door Vlaanderen

Ronde Van Vlaanderen (Tour de Flandres)

Em comum a estas clássicas são por certo os troços em pavê e os muros constantes, uns atrás dos outros. Mais comum ainda é a quantidade espetacular de publico que surge ao longo dos longos trajectos destas clássicas. É incrível!!!

A Sporza, cadeia televisiva responsável pela transmissão destas clássicas, este ano está a fazer um trabalho espetacular ao mostrar isso mesmo. O quão efusivo é o publico por aquelas paragens… quase parece que estamos lá!

Com a Omloop e a Harelbeke já decorridas em que Valgren e Nicki Terpstra vencem, respectivamente, na Harelbeke ressalva-se o verdadeiro recital dado pela Quickstep, excelente corrida.

Amanhã, Domingo dia 25 de Março é dia de Gent- Wevelgem (in flanders fields) com o terror do Kemmelberg a surgir 2 vezes, vai ser uma corrida bem durinha e se houver vento ainda pior.

Eddy Merckx no Kemmelberg

Será que o vencedor sairá de um pequeno grupo de fuga? Será ao sprint? Van Avermaet bisará?

Muito difícil prever esta corrida, mas a nossa aposta vai para a armada Quickstep que está fortíssima e será em particular para Phillipe Gilbert. Avermaet pode vencer mas parece-nos que ele quer mesmo é despontar no Tour de Flandres.

Outras boas apostas são Colbrelli, Trentin, Sagan (claro) e Matthews

Esperamos mais um excelente domingo de ciclismo!!!

Please follow and like us:

Categorização de subidas. Como acontece?

Como sabem as subidas que surgem nas provas de ciclismo são categorizadas por forma a atribuírem determinada classificação (pontos) para o REI da montanha- KOM.

As categorias são:

Cat.4;  Cat.3; Cat.2; Cat.1 e HC (Hors categorie)

Lacets Montvernier (Alpes Franceses)

A forma como se diz serem determinadas estas categorias na teoria são:

Categoria 4

2km a 6% de pendente médio

4km abaixo 4% de pendente médio

Categoria 3

2-3km a  8% (de pendente médio ou menos mas com algumas rampas)

2-4km a 6% de pendente médio

4-6km a 4% de pendente médio

Categoria 2

5-10km a 5-7% de pendente médio

10+km a 3-5% de pendente médio

Categoria 1

5-10km a >8%  de pendente médio

10-15km a 6% de pendente médio

HC

15+km a 8%+ (Alpe D’huez, etc.)

20+km (Galibier)

Muitas vezes poderá na verdade ser uma de categoria 1 mas se for a última da etapa será classificada como HC.

TdF2017 Etapa 9

Isto é a forma de as classificar na teoria mas a verdade é que a ASO (Amaury Sports Organization)a responsável pela organização dos 3 grandtours e não só, mais a UCI,  muitas vezes classificam as subidas de uma forma muito própria sem olhar à teoria e olhando ao valor mítico da subida, à sua fama, à forma como estão dispostas nas etapas e por conseguinte possam influenciar a classificação da montanha a fim de garantir mais espectáculo.

Parece-nos aceitável e compreensível esta forma de classificação mas a melhor de todas é a que antes se fazia e decorria da seguinte forma:

Era utilizado um Citroen de 2CV e, colocavam o dito a fazer as subidas que queriam que integrassem as etapas e se, o carro fizesse a subida na 4ª mudança a categoria seria 4, se a fizesse em 3ª, seria essa subida de 3ª categoria e assim por diante. Se o carro não conseguisse ultrapassar a subida seria HC… Muito bom… Excelente… a mente humana no seu melhor!!!

Noutros tempos utilizado para categorização das subidas nas provas de ciclismo

Fica aqui um link das subidas pavimentadas mais altas da Europa e que os editores da 53onze têm o orgulho de já ter umas quantas no repertório

Estradas mais altas da Europa

Please follow and like us:

Pirenéus 2015… Mais que uma aventura.

Pirenéus, Pirineus, Pyrenees ou Pyrénées seja de que forma se escreva, uma coisa os define- Esplendorosos!

Foi em Junho de 2015 que fizemos a travessia dos Pirenéus  em bicicleta, ligando Hendaye a Colluire. Do mar cantábrico ao mediterrâneo.

Percorremos das mais belas paisagens que se podem encontrar por esta Europa fora, subimos os mais míticos Col’s, passamos por estradas, vilas e aldeias pitorescas, paisagens de um verde incrível e imenso, pequenas quedas de água a cada curva, um ar tão puro que é difícil encontrar igual. Um paraíso para um ciclodesportista, simplesmente fabuloso.

Agora descreveremos a forma como preparamos e fizemos esta viagem; as questões logísticas; as estadias; a alimentação; as ligações etc etc.

Depois de contratada a ideia do desafio que queríamos concretizar e de criada a equipa que o iria executar, encaramos o desafio com um sorriso na cara de tão fácil que ia ser …. Mentira!!!

Decidimos desde logo fazer num modelo de travessia, ou seja, (a-b-c-d-e-f-g ) e não (a-b-a) e dessa forma tivemos de nos adaptar a esse modelo e como tal necessitávamos de apoio durante cada etapa, mais que não fosse transportar os nossos bens (roupas etc) para o final de cada etapa.

Foi fácil. O mais experiente nestas aventuras, Monsieur  P.Mesquita (AKA Capitão Flecha) sendo além dum cicloturista, também um caravanista e emigrado na Bélgica, ajustando os calendários de todos, arrancou mais cedo de Genval- Bélgica para Hendaye, onde aguardou a nossa chegada vindos de Lisboa.

Depois na travessia, sendo 4, num dia pedalavam 3 e o 4º levava a caravana de A a B, com uma paragem a meio para providenciar uma refeição (almoço- Sandes etc)  . Tudo muito bem encadeado e que resultou às mil maravilhas.

Os restantes, para chegarem a Hendaye utilizaram o Sud Express (Santa Apolónia). Uma viagem em camarote de 4 camas (3 cicloturistas mais 3 bicicletas devidamente acondicionadas em caixas de papelão) que partiu por volta das 21h do dia 04 de Junho e chegou às 12h locais a Hendaye do dia 05. Uma viagem que se fez bem, sendo que grande parte do tempo íamos a dormir.

 

Chegados a Hendaye, instalamo-nos, fizemos um pequeno prólogo até Saint Jean de Luz e ainda usufruímos da piscina do parque de campismo onde pernoitamos para o dia da 1ª Etapa.

Etapa 1- 06 Junho, eis que era o dia em que começávamos a maior travessia em bicicleta que alguma vez tínhamos feito e sem dúvida o desafio mais difícil de ultrapassar, mas lá arrancamos certos e seguros de que tudo ia correr bem e fomos “comendo” alcatrão em direcção a Sudeste. O dia estava muito encoberto, com alguns chuviscos à mistura. Foi um dia em que ondulamos por pequenos montes e entre fronteiras (Espanha/França) em puro País Basco.

O ponto alto deste dia seria o col d’iraty (1340m) uma subida a 2 fases com cerca de 18 km, com uma pequena introdução aos “lacets”, sempre com neblina, tempo muito fechado mas ainda assim deu para perceber que estávamos à porta dos verdadeiros Pirenéus e então quando chegamos ao nosso destino do 1º dia, tivemos essa certeza. Terminamos em Larrau e ficamos num camping que estava de frente para uma parede gigantesca de verde, e no cimo, nas maiores escarpas era possível ver uns pontos brancos (Neve???)… passado algum tempo, esses pontos estavam noutro sítio… que raio?!!! Cabras das montanhas (Chamois)… Incrível, mas ok, toca de fazer mas é a tratar da massa porque amanhã há mais disto!!!

Etapa 2- 07 de junho, com o pequeno almoço tomado (muito speculloos) lá seguimos de Larrau para Laruns. Este já ía ser um dia mais trabalhoso com  2 col´s de respeito, Col du Soudet  e a tenebrosa parede do Col du Marie Blanque.

Lá seguimos e logo a ínicio começamos a subida para o Soudet, onde mais ou menos a meio vimos uma casinha catita que era um restaurante/ bar e nesta altura um café caía que nem gingas! Lá entramos… Uma senhora rechonchuda, Basca a todo nível acompanhada de um cão igualmente rechonchudo e com pêlo até ao fim do mundo, que nem se deu ao trabalho de se levantar parece que aguardavam por nós. Pedimos 3 cafés e 3 fatias de bolo basco. Um dos 3 adiantou-se à carteira e colocou uma nota de 10 euros “pensou… deve chegar e sobrar… nãaaa…”- A senhora rechonchuda na língua nativa disse, são €20,50 “si vous plait”….

 

Regressados à estrada/ subida e recompostos do café e bolo e descompostos da carteira depressa chegámos ao topo do Soudet junto ao cruzamento para Pierre Saint Martin e aí o sol já aparecia… toca a descer para Bedous, almocinho e siga para aquela que pensávamos ser fácil, a danada Maria Branca.

Col du Marie Blanque (por Escot) avisava uma placa, no seu início, que era uma subida de 9,5km com média de pendente de 7,6% (pensamos, ok tranquilo… fácil!!!). lá seguimos e km após km rolávamos a direito e até às vezes descíamos um pouco … mau Maria (literalmente)… então isto não empina??? Há empinou empinou e de que maneira. Para quem conhece o solitário na Serra da Arrábida, imaginem 4 seguidos na segunda metade desta subida e a juntar a isso um calor infernal! Lá se fez e a partir do topo foi sempre a esgalhar até Laruns (Vila muito simpática no sopé do Glamoroso Aubisque).

Neste dia ficamos num parque de campismo que ficava junto (mesmo junto) dum rio de rápidos que trazia água gelada das montanhas. Foi a nossa crioterapia…. Siga pôr a pernoca de molho…. Até faltava o ar de tão quentinha que estava… um senhor mais velhote que nos via fazer aquilo, tentou o mesmo e isso é que ele saltava, rápido se arrependeu. Nós não- “nós sermos duros!” . Uma coisa é certa, no dia seguinte as pernas estavam novas e não tinha sido pela bela noite de sono, já que parece que nessa noite um “urso” com uma respiração que mais parecia uma traineira a arrancar para a faina, teimou em dormir connosco, alguém não aguentou e montou uma tenda de 2seg no exterior e preferiu o fresquinho da noite e o barulho dos rápidos do rio.

Etapa 3- 08 de junho, a manhã começou cedo e tudo a trabalhar para montar mais um dia de espectáculo em cima da bicicleta. Um arranca de bicicleta à vila comprar “les baguettes” só faltava a música do genérico do verão Azul… que romantismo ciclístico… Os restantes preparavam a mesa do pequeno almoço e já se arrumavam as coisas para levantar acampamento. O dia ia ser longo, difícil mas muito bonito, talvez dos mais espectaculares que já se passaram em cima de uma bicicleta.

Km 2, início da subida para o Col d’Aubisque, a mais bonita que se tinha feito até então, que subida, que paisagem, pequenos lagos de uma azul incrível… as Vilas Eaux Bonne, Gourette, tudo isto ao longo de uma subida de 18km até uma altitude de 1710m. Uma subida completamente pornográfica, numa conjugação perfeita.  A entrada nos Altos Pirenéus. Indescritível.

Depois do Aubisque, descíamos um pouco e voltávamos a subir uns poucos  4km para o Col du Soulor. Deste ponto foi sempre a descer até Argèles Gazost, uma vila com uma forte presença ciclista ligada ao Tour. À saída desta vila almoçamos junto a uma ponte romana e seguimos em direcção ao ultimo col do dia o mítico Luz Ardiden.

Passando pelo local que nos iria acolher durante 2 dias, Luz Saint Sauver, viramos à direita para subir e voltar a descer pelo mesmo sitio (só tem mesmo uma forma de se subir) o Luz Ardiden que foi feito no seu final, com chuva e com a descida um pouco mais perigosa.

 

Check-in no camping, jantar, caminhada pela vila e cama porque o dia seguinte era a Etapa Rainha, com o Hautacam e Tourmalet  como pratos do dia no menu.

Etapa 4- 09 de Junho, um dia bom, com sol bem à vista. Seguimos confiantes em direcção ao Hautacam que iria aparecer ao km 18, uma subida que apenas tem uma vertente e ao longo da mesma sente-se um ambiente “Tour” , uma subida com muito história no ciclismo. Ultrapassado este desafio lá seguimos num trajecto circular parando na cidade das aparições Marianas- Lourdes. Local onde neste dia almoçávamos à mesa e com o grupo completo já que a volta acabava no mesmo sítio. No restaurante vincou-se a ideia de que somos mais que as mães e estamos em todo o lado. O senhor que nos serviu era natural de Águeda (terra de bicicletas), é sempre reconfortante, gostamos mais de nós (uns dos outros) lá fora, não sei porquê.

De papo relativamente cheio, seguimos para o gigante dos altos Pirenéus, o famoso, imponente e histórico Col du Tourmalet. A vertente desta subida de 17,5km até uma altitude de 2110m, foi de Sainte Marie de Campan, e a dos 5km de subida, é muito constante em pendentes entre os 8 e 10%. Apanhamos grande parte da subida com o pavimento em reparação porque o Tour iria ali passar 1 mês depois e tudo num momento de neblina intensa que encharcava por completo as roupas.

A cerca de 5km do final, na estância de la Mongie, parámos num bar que parecia tirado daqueles filmes do faroeste, até as portas eram dos mesmo género e os clientes a olharem para nós como forasteiros. A única diferença é que não pedimos whisky, mas sim uma coca cola e uma fatia de cheesecake com mirtilos (10 euros) que soube pela vida.

Siga rumo ao topo, foto da praxe na passagem no alto e descida vertiginosa, desta feita com o sol espectacular até Luz Saint Sauveur, para finalizar mais um dia em terras dos altos pirenéus.

Etapa 5- 10 de Junho, dia do nosso GRANDE PORTUGAL, e dia de etapa anulada devido a chuva e fez com que ficassem por fazer as subidas do tourmalet via Luz Saint Sauver, Aspin e Peyresourde (motivo para lá voltar). Desta forma lá fomos seguindo de caravana pelo trajecto em direcção àquele que seria o final da etapa, Saint Béat.

Chegados a Saint Béat e instalados, o dia melhorou e lá fomos numa voltinha de recuperação até Bagneres de Luchon, vila também muito ligada pela história ao ciclismo. Sentamo-nos num café e fizemos o nosso pedido e a dada altura voltamos a perceber que somos mais que as mães, o dono do café é Português e foi ciclista… iscas canudo… Espetacular,  mais um dia concluído.

Etapa 6- 11 de Junho, dia que enfrentávamos, o Col de Menté, Portet d’Aspet, Col de la Core e col de Latrappe.

Col de Menté, subida muito simpática com uns “lacets” que espevitavam o ritmo e dali ao Portet d’Aspet foi um “tiro” e aí pôde-se assistir ao local e ao monumento em honra do malogrado Fabio Cassartelli, numa curva que foi fatal para ele no tour de 1995 quando decorria a etapa 15 daquela edição.

Terminado o dia, altura em que já se fazia sentir alguma fadiga seguíamos para o penúltimo dia com o Col de Agnes e Col de Paillères na ementa.

Etapa 7- 12 de Junho, uma etapa desgastante e com alguns pequenos contratempos, o dia seguia bem, subindo o Col d’ Agnes e Port de Lers. Subidas muito bonitas, graduais e com boa meteorologia, céu coberto mas pouco vento e boa temperatura. À tarde depois do almoço entravamos em Ax-les-thermes para iniciar a subida ao Col de Paillères, que se revelou muito difícil com chuva, vento e frio que surgiram quase do nada. A descida foi feita complemente encharcados, sobre chuva torrencial e com o físico já um pouco desgastado. Chegados ao parque esperava-nos a caravana à porta só para nos confirmar que aquele parque estava abandonado…. Completamente encharcados e com recursos a mapas (à moda antiga)  e a roteiros de campismo lá viemos a descobrir um parque de 5 estrelas e com jacuzzi…

    

Mas no caminho antes de chegar ainda fomos mandados parar pela “Douane” polícia fronteiriça, que acho que tiveram pena da nossa cara de cães abandonados e desgastados..

Etapa 8, dia 13, último dia em que seguíamos em direcção a Collioure, vila costeira, mediterrânica muito linda…

E assim terminávamos uma aventura que em números representou, 855km, 18,500m de desnível acumulado de subidas, muitas terreolas, col´s, vilas e paisagens na bagagem… Com toda a certeza que um regresso acontecerá mas não em travessia e sim nos mesmos moldes que nos Alpes em 2016.

Logisticamente foi relativamente fácil de concretizar, monetariamente e visto que cozinhávamos o que comíamos, ficávamos em parques de campismo e deslocávamo-nos de bicicleta J a aventura ficou mais barata do que possam imaginar, troquem as inscrições de 8 a 10 grandfondos em Portugal e encontram +/- o valor gasto na aventura.

O regresso foi feito na caravana, numa tirada de mais de 14h, com turnos e só paramos em Vendas Novas para a bifana e sopa de feijão que melhor me soube em toda a vida.

Trouxe comigo nos bolsos dos jerseys, recordações, subidas (algo que adoro), vistas, sensações e uma cansaço tão bom que me fez perceber a liberdade que nos dá uma bicicleta, seja de ferro, alumínio ou carbono…

LINKS das actividades no STRAVA

Etapa 1 (https://www.strava.com/activities/319777961 )

Etapa 2 (https://www.strava.com/activities/320605996 )

Etapa 3 (https://www.strava.com/activities/321114230 )

Etapa 4 (https://www.strava.com/activities/321806329 )

Etapa 5 (https://www.strava.com/activities/323432122)

Etapa 6 (https://www.strava.com/activities/323432351 )

Etapa 7 (https://www.strava.com/activities/324074932 )

Etapa 8 (https://www.strava.com/activities/326275509 )

Até à próxima…

#53onze #LifeIsaSport #KeepItSimple

 

Please follow and like us: